Desigualdade aumenta em
quase todos os países da UE

Portugal teve um agravamento acima da média europeia

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Prof. Farinha Rodrigues

ISEG - Lisbon School of Economics & Management

Nos últimos anos, falar sobre a crise económica e financeira não se ficou apenas por Portugal. Estaria o impacto da crise a ser pior para os gregos do que para os portugueses? Estaria a Irlanda a lidar com os custos de forma mais eficaz do que Portugal? Estaria ou não a nossa crise a ser pior do que a dos outros países?

As dificuldades económicas eram comuns a alguns países da União Europeia, com maior ou menor intensidade, e sabia-se que o fenómeno não atingia apenas Portugal. Entre 2009 e 2013, houve 18 países da UE onde a desigualdade aumentou, ou seja, ondeos rendimentos passaram a estar mais concentrados nuns e menos noutros, aumentando o fosso entre ricos e pobres. Portugal foi um desses países, assim como Espanha, Itália, Alemanha ou Suécia. De fora desse agravamento ficam apenas dez Estados-membros – os únicos onde as desigualdades diminuíram, apesar da crise económica – entre os quais está o Reino Unido, Bélgica, Irlanda e França.

Portugal fica acima da média europeia em termos de agravamento nestes anos. E continuamos a ser um dos países mais desiguais da EU – entre os 28 países, Portugal ocupa a 9.ª posição com maior nível de desigualdade.

Grécia e Espanha são dois dos países que ficam à frente de Portugal, ainda com maior desigualdade, segundo o coeficiente de Gini (indicador que mede a desigualdade na distribuição de rendimentos) relativo a 2013. No extremo mais negativo, onde o fosso entre ricos e pobres é maior, está a Letónia e a Estónia, enquanto a Eslováquia e a República Checa ocuparam as melhores posições.

Se nos focarmos apenas nos países que estiveram sob processos de ajustamento – como foi o caso da Grécia, Irlanda e Espanha, para além de Portugal – então conclui-se que apesar de a evolução da da desigualdade entre os gregos ter sido mais profunda do que a que se registou entre os portugueses, ambos os países ficaram com níveis idênticos de desigualdade. O caso mais particular é a Irlanda, o único dos quatro países onde a desigualdade diminuiu.

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